“Não basta reagir ao crime, é preciso interromper o ciclo”: em entrevista à Mega Rádio, Gabriela Garrido destaca urgência da educação no combate ao feminicídio
O recente assassinato de uma mulher na cidade de Planalto, no sudoeste baiano, reacendeu o debate sobre a urgência de políticas públicas mais eficazes no enfrentamento à violência de gênero. O tema foi pautado pela vereadora Dra. Gabriela Garrido (PV) durante sessão da Câmara Municipal de Vitória da Conquista na última terça-feira (18) e aprofundado em entrevista concedida à Mega Rádio VCA.
O crime que motivou as declarações ocorreu na própria terça-feira (17). Patrícia Santos, de 31 anos, foi morta a golpes de faca e martelo pelo companheiro, com quem convivia há dois meses. O suspeito foi preso em flagrante.
Para a parlamentar, o caso evidencia que apenas o rigor penal não tem sido suficiente para frear as mortes. “Hoje o feminicídio é o crime que tem a pena mais alta no nosso Código Penal. E ainda assim, mulheres continuam morrendo todos os dias”, ressaltou.
Durante a entrevista à Mega Rádio VCA, a vereadora destacou que a segurança pública e a quebra do ciclo de violência dependem diretamente da educação na primeira infância. Nesse contexto, ela cobrou a tramitação do Projeto de Lei 197/2025, de sua autoria, que aguarda parecer da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara.
A proposta visa regulamentar a Lei Federal 14.164/2021 no âmbito municipal, tornando obrigatória a abordagem sobre prevenção da violência e igualdade de gênero desde as creches até o ensino fundamental.
Gabriela argumentou que a intervenção do Estado nas escolas é necessária, pois a base do problema muitas vezes reside no próprio ambiente doméstico. “As famílias não têm condição de educar seus filhos para não cometer violência doméstica, porque a violência doméstica está exatamente no seio das famílias. Não é por maldade, mas por incapacidade social”, explicou.
Ainda na entrevista, a vereadora detalhou os três pilares que considera essenciais para enfrentar o problema de forma estrutural:
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Educação contínua: Ensinar respeito, limites e resolução pacífica de conflitos para crianças.
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Intervenção rápida: Atuação imediata das forças de segurança e da rede de apoio (assistência social, psicológica e jurídica) nas primeiras 72 horas após a agressão. Segundo dados apresentados por ela, o acompanhamento qualificado pode reduzir a reincidência de agressões em até 44%.
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Autonomia da mulher: Garantir acesso à renda e suporte emocional para que as vítimas não permaneçam em relações abusivas por dependência financeira ou medo.
Buscando levar o tema de forma lúdica ao público infantil, a vereadora revelou ter escrito um livro sobre a prevenção à violência, com revisão pedagógica e ilustrações de artistas locais. A obra foi aprovada como projeto da Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), que ficará responsável pela edição. O lançamento oficial está marcado para o dia 26 de março.

