Point do Rock 2026: após nove anos, Dead Fish retorna à Vitória da Conquista; leia sobre as apresentações do primeiro dia de festival

Outra Conduta e Supremo MC, penúltimo show do primeiro dia do Point do Rock 2026. Foto: Ane Xavier/@ane.frames
  • Danilo Souza
  • Atualizado: 17/03/2026, 10:11h

Um ano após ter atingido a lotação máxima da concha acústica do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, em Vitória da Conquista, o Point do Rock, festival independente de música da cidade, realizado por Rafael Leandro e Osniel Costa, seguiu apostando alto e manteve o nível em 2026. Mais de 2 mil pessoas estiveram presentes e curtiram os shows de Dead Fish, Project46, Fuck The System e outras nove bandas locais. Acompanhe a seguir um resumo de tudo o que rolou no sábado, o primeiro dos dois dias do festival.

Dando início ao lineup, Geisy Meireles fez sua estreia como artista solo nos palcos. Com a missão de aquecer o público e preparar o clima pro sábado, a cantora apresentou um repertório que misturou clássicos do rock nacional e internacional, como “Máscara” e “Teto de Vidro”, da baiana Pitty, “Ando Meio Desligado”, dos Mutantes, e “Decode”, dos estadunidenses do Paramore. Em um formato intimista, acompanhada por Velto Oliveira, no violão, Renato Sena, na guitarra, e Alemão, na bateria, Geisy pareceu não sentir o nervosismo da primeira vez e demonstrou o seu potencial vocal, até então conhecido somente em suas participações com a banda Outra Conduta. Um começo com o pé direito e que tem tudo para se tornar uma coisa ainda maior. 

Um presente para os “camisas pretas” que já estavam no Centro de Cultura por volta das 16h, a Headless Queen veio com um som mais pesado, voltado pro metal. Com repertório autoral, a banda segurou a energia de ponta a ponta em sua apresentação, tanto pela qualidade sonora dos membros, quanto pela voz, carisma (e por que não loucura, no bom sentido) de seu frontman, Pengas Unlegged. O grupo se mostra como um nome para ficar de olho na cena da cidade e da Bahia.

Beth Soul, terceira artista do sábado, subiu ao palco no fim de tarde e chegou com um setlist de peso. Trazendo clássicos de diversas décadas do rock, como o hard rock dos anos 80 do AC/DC, com “Highway to Hell”, o rap rock do anos 90, nos hits “Killing In The Name” e “Bulls on Parade”, do Rage Against The Machine, e o Nu Metal do Linkin Park, em “In The End”, um marco dos anos 2000, pode-se dizer que é um repertório que realmente atravessou gerações, principalmente pela quantidade de jovens que subiram no palco e fizeram uma festa à parte, cantando com Beth e até pulando de lá em direção ao público (coragem…).

Foto: Ane Xavier/@ane.frames

A banda Asylum seguiu com a onda do tributo, porém, totalmente dedicado ao Korn (com uma pequena, mas muito bem vinda, exceção para a música “Roots Bloody Roots”, do Sepultura, tocada em comemoração aos 30 anos do disco dos mineiros). Considerando que a intenção de um tributo não é necessariamente imitar, mas sim trazer um pouco da sensação de ouvir ao vivo as músicas de uma banda que você gosta, os caras foram muito bem. De novo, um show à parte do público, que abraçou e viveu cada momento do show, com direito a mosh e tudo mais.

Já a Outra Conduta conhece bem o Point do Rock. A banda tocou em todas as edições até aqui, mas essa teve um gosto especial. Pela primeira vez, o grupo conquistense apresentou um repertório formado integralmente por canções autorais, que fazem parte do seu primeiro disco de estúdio, “De Doutor a Malokero”, lançado em 2025. Quem esperava mais um show tributo ao Charlie Brown Jr não encontrou o que queria, mas achou algo ainda melhor; músicos apaixonados pelo que fazem, apostando em seu próprio som e identidade, longe de rótulos. Teve reggae, rock, hardcore, rap e até ragga, na participação de Supremo MC, que hoje faz rap, mas que tem suas raízes fincadas no subgênero que nasceu a partir do dancehall jamaicano. Relembrando os tempos de Complexo Ragga, um coletivo que foi muito influente na região do sudoeste baiano na década passada, Supremo repaginou a canção “Sensimilla”, que dessa vez contou com as guitarras de Léo Araújo, a bateria de Alemão e o baixo de Fernando Coelho.

Foto: Ane Xavier/@ane.frames

Headliner do sábado, o Dead Fish retornou à Vitória da Conquista após nove anos. A última vez havia sido em 2017, e muita coisa aconteceu de lá pra cá… teve o lançamento do disco “Ponto Cego”, em 2019, e o mais recente, “Labirinto da Memória”, de 2o24, além do álbum ao vivo comemorativo dos 20 anos do clássico “Zero e Um”. Então, teve um pouco de tudo; as novidades do período em que estiveram fora, mas também os grandes clássicos dos quase 4o anos de carreira: “Você”, “Queda Livre”, “A Urgência”, “Venceremos”, “Afasia”, “Sangue nas Mãos” e por aí vai. Em um momento conturbado no contexto mundial (e que tem material suficiente para render temas para mais um disco dos caras), o vocalista, Rodrigo Lima, se conectou a um público engajado com a mensagem da banda. Teve boné do Movimento Sem Terra (MST) sendo entregue a ele, durante a canção que leva o mesmo nome, fã subindo no palco com uma bandeira de Cuba, e, claro, os já tradicionais moshs que não faltam nunca no show dos capixabas.

Foto: Ane Xavier/@ane.frames

Não que fosse necessário algum incentivo para não ficar parado durante uma sequência de pancadas do setlist, mas Rodrigo achou um bom jeito, convenhamos: “quem ficar parado é amigo do Bolsonaro!”, disparou o frontman da banda, com o deboche de sempre. Ao mesmo tempo que haviam pessoas muito jovens e que nem mesmo ainda eram nascidas quando o grupo atingiu seu auge, no início dos anos 2000, também estavam lá fãs que viram toda a trajetória do Dead Fish, desde 1991, e que sabiam cantar tudo o que tocava. 

Depois de nove anos, muita coisa mudou no repertório, no Brasil e no mundo, mas uma coisa permaneceu a mesma, ou até melhorou… a energia que o quarteto, agora formado por Ric Mastria, na guitarra, Igor Moderno, no baixo, e Marco Melloni, na bateria, além do vocalista, Rodrigo, possui quando sobe no palco. “Valeu, Point do Rock, espero que dessa vez leve só nove meses, e não nove anos”, disse Rodrigo, em “Bem Vindo ao Clube”, canção que fechou o show.

Foto: Ane Xavier/@ane.frames

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