Ministro Rui Costa contrapõe prefeita Sheila Lemos sobre verbas para drenagem: ’’Não posso deixar que a mentira prevaleça’’

Em entrevista ao UP Notícias, o ministro da Casa Civil rebateu o vídeo divulgado pela gestão municipal e afirmou que a liberação de quase R$ 9 milhões do PAC está travada por falta de documentos técnicos da própria Prefeitura
  • Ane Xavier
  • Atualizado: 10/03/2026, 03:48h

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, concedeu entrevista ao programa UP Notícias (100.1 FM) na tarde desta terça-feira (10), abordando os investimentos federais em Vitória da Conquista e na região Sudoeste. O ponto central da entrevista, no entanto, foi o contraponto feito pelo ministro a um vídeo publicado recentemente pela prefeita Sheila Lemos.

Na publicação, a gestora municipal afirmava estar no aguardo da liberação de recursos do Governo Federal para dar início a obras de macrodrenagem — uma demanda que ganhou urgência após os severos alagamentos que atingiram a cidade nos últimos dias e resultaram no desaparecimento de uma moradora. O ministro prestou solidariedade à família da vítima, mas fez questão de apresentar a versão do Governo Federal sobre o trâmite dos recursos.

De acordo com Rui Costa, as declarações da prefeitura não refletem o atual estágio do processo administrativo junto à Caixa Econômica Federal. O ministro detalhou o cronograma do convênio do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para explicar que os recursos já estão garantidos, mas esbarram em etapas técnicas de responsabilidade do Executivo municipal:

  • Aprovação: Segundo o ministro, a Prefeitura inscreveu duas propostas no final de 2023, somando quase R$ 9 milhões. Os projetos foram aprovados e anunciados pelo Governo Federal em março de 2024.

  • Alteração de projeto: Rui afirmou que, em meados de 2025, o município solicitou a alteração da área contemplada pelas obras (originalmente na Lagoa das Bateias) para atender os bairros Jurema e Candeias, pedido que foi aceito. Os contratos foram assinados em novembro de 2024.

  • Pendências atuais: O ministro informou que a última reunião técnica entre a Caixa Econômica e a Prefeitura ocorreu no último dia 3 de março de 2026. "Até o momento, o município não entregou as pendências de projeto e os dados técnicos para viabilizar a licitação", afirmou.

Rui Costa esclareceu que, na regra do PAC, o dinheiro é repassado logo após a conclusão da licitação e o início das obras, etapa que depende exclusivamente do município. Além desse repasse, ele anunciou que o Governo do Estado, via Conder, deve publicar até abril a licitação de um outro projeto de macrodrenagem para a cidade, no valor de R$ 30 milhões.

A entrevista também tratou de outras pautas estruturantes para Vitória da Conquista e região:

  • Nova maternidade: O ministro relatou uma visita recente ao Hospital Municipal Esaú Matos, acompanhado da prefeita Sheila Lemos. Ele afirmou ter oferecido a inclusão da construção de uma nova maternidade para a cidade através do PAC, bastando que a prefeitura apresente o projeto. "Estamos aguardando", disse.

  • Desafogamento do SUS: Costa destacou que a construção do novo Hospital Regional e da Policlínica em Itapetinga ajudará a reduzir a fila de pacientes de municípios vizinhos que hoje sobrecarregam o Hospital de Base de Vitória da Conquista.

  • Rodovias e água: Sobre a concessão das BRs 116 e 324, o ministro informou que os estudos para o novo leilão (estimado em R$ 14 bilhões e que inclui viadutos em Conquista) estão em análise no Tribunal de Contas da União (TCU). Já as obras da Barragem do Catolé, segundo ele, superaram os entraves contratuais da pandemia e seguem em ritmo acelerado, com previsão de entrega integral para o ano que vem.

Nesta quarta-feira (11), Rui Costa cumpre agenda na cidade de Belo Campo para inaugurar a primeira Unidade Básica de Saúde (UBS) do Brasil construída integralmente no modelo do Novo PAC.

No campo político, o ministro confirmou que deixará o comando da Casa Civil no dia 31 de março para cumprir o prazo de desincompatibilização eleitoral, já que pretende disputar uma vaga no Senado pela Bahia. Sobre as articulações da chapa majoritária e eventuais negociações com partidos como o MDB, Costa preferiu não comentar, ressaltando que a condução desse diálogo cabe exclusivamente ao governador Jerônimo Rodrigues.

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