Núcleo de Patrimônio Histórico de Vitória da Conquista debate tombamento da casa de Glauber Rocha e do Cristo de Mário Cravo
Foto: Secom PMVC
O Núcleo de Preservação do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural de Vitória da Conquista abriu as atividades de 2026 na manhã desta quinta-feira (5). O encontro foi sediado no Memorial Manoel Fernandes de Oliveira, antigo prédio da Câmara Municipal, que passou a integrar a lista de bens tombados do município no ano passado.
A pauta central da reunião foi a continuidade das ações de proteção da memória local e a avaliação de novos espaços que podem receber proteção legal contra descaracterizações ou demolições.
Durante a plenária, o Núcleo iniciou oficialmente as tratativas para avaliar o tombamento de novos edifícios, documentos e monumentos de relevância histórica para a Bahia e para o município. O destaque do encontro foi a discussão sobre dois marcos culturais de Vitória da Conquista:
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A casa de Glauber Rocha: Residência ligada à memória do cineasta conquistense, um dos maiores expoentes do Cinema Novo brasileiro.
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O Cristo Crucificado (Cristo Sertanejo): Obra icônica do artista plástico baiano Mário Cravo, localizada na Serra do Periperi, reconhecida como um dos principais cartões-postais da cidade.
Educação Patrimonial e Pertencimento
Além das questões burocráticas e legais do tombamento, especialistas presentes debateram a função social da preservação. O arquiteto e urbanista Rafael Celino pontuou que a proteção física dos imóveis deve ser acompanhada de um trabalho pedagógico contínuo nas escolas para despertar o sentimento de pertencimento nos jovens.
O historiador e museólogo Fábio Sena reforçou que a preservação só atinge seu objetivo pleno quando a comunidade enxerga sua própria identidade naqueles bens, classificando o tombamento como "um pacto de cidadania entre o passado e a posteridade".
Já o membro do Núcleo de Tombamento, Wal Cordeiro, defendeu uma visão alinhada à sustentabilidade. Ele argumentou que o conceito de patrimônio deve ir além das construções de alvenaria, englobando também as manifestações populares, o que, consequentemente, agrega valor ao turismo local.
A reunião marcou a articulação entre diferentes esferas do poder público. O Conselho Municipal de Cultura, presidido por Washington Rodrigues, nomeou uma comissão temática específica para acompanhar de perto os processos de tombamento.
O encontro também registrou a presença da representante do Executivo municipal, Maíza Leite, e dos vereadores Subtenente Muniz e Ivan Cordeiro. O presidente da Câmara, Ivan Cordeiro, assumiu o compromisso de manter o Legislativo engajado na pauta, afirmando que a defesa do patrimônio é uma ferramenta essencial para proteger a história da cidade contra o esquecimento.









