Samba no gelo e Fênix na alma: A trajetória inabalável de Boka nas Olimpíadas de 2026
Nas pistas de gelo de Milão-Cortina, onde a gravidade e o frio desafiam os limites humanos, um nome se destaca não apenas pela força física, mas por uma trajetória que desafia as probabilidades médicas e geográficas. Davidson Henrique de Souza , o "Boka", é hoje um dos pilares da equipe brasileira de bobsled, mas sua jornada até aqui foi pavimentada por decisões audazes e uma recuperação que muitos chamariam de milagrosa.
Nascido em São Paulo em 1992, Boka começou no atletismo aos 12 anos, mas foi em 2013 que sua vida mudou ao descobrir o bobsled. Reserva nos Jogos de Sochi 2014, ele viu que, para ser titular, precisaria de um movimento radical. "Mudar do Brasil para o Canadá quando eu tinha 21 anos foi a maior decisão que tomei. Eu queria ser um dos melhores e a única forma era treinando com os melhores do mundo" , revelou o atleta em entrevista exclusiva ao jornalista Junior Patente na tarde de hoje, direto de Milão.
A Promessa no Leito de Hospital
A carreira de Boka atingiu um ápice técnico ao defensor da seleção canadense entre 2021 e 2023. No entanto, o destino impôs um teste de fogo em dezembro de 2024. Um acidente devastador no Canadá resultou em múltiplas fraturas, incluindo o fêmur, e o rompimento de quatro músculos. O diagnóstico médico era sombrio: o fim da carreira.
Mas Boka tinha outros planos. "Ninguém acreditou que seria possível, nem a meu cirurgiã. Mas eu tive que fazer mental acontecermente e no puro coração. Eu tinha prometido para mim mesmo que ia voltar a representar o Brasil nas Olimpíadas deste ano e eu não pude deixar de cumprir essa promessa" , desabafa o atleta. Apenas 13 meses depois do acidente, ele não voltou a andar, como reconquistou sua vaga na elite do esporte verde-amarelo.
O Templo aos 33 Anos e a Magia do "Hino"
Hoje, aos 33 anos (corrigindo a marca dos 36 conforme sua atuação atual), Boka mantém o poder que o consagrou como empurrador de elite, unindo o passado no fisiculturismo com uma disciplina rigorosa. Ele explica que o segredo para competir em nível olímpico após tantas lesões é tratar o corpo como um templo: "Alimentação, descanso e zero álcool. É o cuidado especial para poder performar no nível mais alto" .
Além da força bruta, Boka é a alma cultural da equipe. Criador do “Hino do Bobsled” , ele usa a música para conectar o tempo e aliviar a tensão de descer a mais de 130 km/h. Como o segundo mais velho do grupo, ele assume o papel de mentor:
"Trazemos a leveza que o brasileiro tem através da nossa cultura e da nossa música para esse frio. Minha responsabilidade é trazer tranquilidade para os meninos mais novos e deixar o piloto focado apenas na condução."
Um Legado de Superação
Para Davidson, a palavra que define Milão-Cortina 2026 é superação . Ao olhar para o futuro e para os jovens brasileiros que veem o esporte de inverno como um sonho distante, ele é categórico: "Não importa de onde você vem. Se você colocar na cabeça que quer algo e trabalhar de verdade para conquistar, você vai conquistar" .
Boka entra no gelo não apenas para empurrar um trem, mas para provar que uma promessa feita a si mesmo em um leito de hospital pode se tornar o motor que move uma nação em busca de destaque no cenário olímpico mundial.
Você vai ouvir a entrevista completa com Boka no Giro Esportivo desta semana.









