Como a presença de mulheres na ciência inspira novas gerações de meninas
Em entrevista à Mega Rádio, a estudante de Biotecnologia Ludmila Evangelista conta a realidade de ser mulher e pesquisadora em Vitória da Conquista. Foto: Reprodução/Arquivo pessoal
Na última terça-feira (11), foi celebrado o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. A data foi instituída em 2015 pela Organização das Nações Unidas (Onu), em parceria com a Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), com o objetivo de ampliar o acesso, a inclusão e a visibilidade para mulheres e meninas no campo científico.
O campo científico, apesar de ser historicamente dominado por homens, atualmente recebe protagonismo feminino nas áreas da ciência, tecnologia, engenharia e matemática, contribuindo para importantes avanços. De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), 74% das bolsas de iniciação científica são ocupadas por pesquisadoras. No entanto, esse percentual diminui para 35% no topo da carreira, o que evidencia a presença de barreiras estruturais no mercado de trabalho.
No município de Vitória da Conquista, o protagonismo feminino se destaca em universidades e na liderança de pesquisas voltadas à comunidade. Um exemplo é a estudante de Biotecnologia Ludmila Evangelista, que atua como pesquisadora na Universidade Federal da Bahia (Ufba).
Em entrevista à Mega Rádio, Ludmila conta sobre seu ingresso em linhas de pesquisa na universidade, como o CCEM (Caracterização Clínica Epidemiológica e Molecular), que atua com pessoas diagnosticadas com HTLV-1, vírus da mesma família do HIV. No projeto de pesquisa, orientado pela professora Fernanda Khouri, amostras de sangue são coletadas de pacientes com HTVL-1 para serem analisadas em laboratório para a realização de diversos experimentos. Segundo Ludmila, 90% da equipe é composta por mulheres, o que motiva a nova geração de mulheres cientistas.
Além disso, Ludmila destaca o quanto a presença de mulheres em espaços científicos a inspira. “Minha primeira orientadora foi uma mulher, que foi a professora Danila e as minhas colegas de trabalho eram, basicamente, todas mulheres. Então foi um ambiente confortável para mim”.
Para a estudante, ser orientada por professoras de renome na ciência funciona como um reflexo do que ela deseja se tornar profissionalmente. Durante a entrevista, Ludmila destacou a importância da pesquisadora Fernanda Khouri em sua formação acadêmica e científica. Durante a entrevista, Ludmila destaca a importância de tê-la como exemplo para sua capacitação acadêmica e científica. “Ela tem uma trajetória consolidada, com parcerias institucionais, e conduz os projetos de forma muito profissional. Esse incentivo tem sido fundamental para o meu crescimento, inclusive no acesso a novos laboratórios e no desenvolvimento da minha pesquisa. A gente acaba sendo reflexo dos nossos orientadores, e eu vejo muito isso nela”, afirma.
O reconhecimento de mulheres cientistas ainda representa um desafio. A presença de pesquisadoras que inspiram novas gerações contribui para ampliar a visibilidade feminina e fortalecer a ocupação de espaços no campo científico, historicamente dominado por homens.









