Canetas emagrecedoras: o perigo silencioso por trás do “emagrecimento rápido”

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  • Da Mega
  • Atualizado: 12/02/2026, 09:57h

O uso das chamadas canetas emagrecedoras tem crescido de forma alarmante no Brasil, impulsionado por promessas de perda de peso rápida e pela divulgação irresponsável nas redes sociais. O que muitas pessoas ignoram é que esses medicamentos não são cosméticos, nem soluções milagrosas. Tratam-se de fármacos potentes, desenvolvidos originalmente para o tratamento do diabetes tipo 2, e que podem trazer riscos graves à saúde quando usados sem indicação e acompanhamento médico.

Medicamentos como Ozempic, Wegovy, Saxenda, Victoza e Mounjaro atuam imitando hormônios naturais do organismo, como o GLP-1, enviando ao cérebro sinais de saciedade, reduzindo o apetite e retardando o esvaziamento do estômago. Esse mecanismo, embora eficaz em casos específicos, interfere diretamente no sistema nervoso central e no funcionamento do trato gastrointestinal, o que exige avaliação clínica criteriosa antes de qualquer prescrição.

O problema começa quando essas canetas passam a ser utilizadas de forma indiscriminada, muitas vezes por pessoas sem indicação clínica, apenas com o objetivo estético. O uso inadequado pode provocar uma série de efeitos colaterais, que vão desde náuseas persistentes, vômitos intensos, diarreia, constipação, azia e refluxo, até quadros mais graves, como desidratação severa e hipoglicemia — a queda perigosa do açúcar no sangue, especialmente quando o medicamento é associado a outras drogas.

Um dos alertas mais sérios envolve o risco de pancreatite aguda, uma inflamação do pâncreas que pode levar à internação hospitalar e, em casos extremos, colocar a vida em risco. A própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já emitiu comunicados reforçando esse perigo. Além disso, a perda de peso rápida provocada pelas canetas pode resultar em perda significativa de massa muscular, comprometendo a força, a saúde metabólica e a qualidade de vida do paciente.

Outro ponto crítico é o mercado paralelo. A venda dessas injeções por meio de redes sociais, aplicativos de mensagens e sites não autorizados expõe o consumidor a um risco ainda maior. Produtos falsificados ou contrabandeados podem conter substâncias desconhecidas, não estéreis ou em dosagens erradas, aumentando a chance de reações alérgicas graves, danos a órgãos e até morte. Muitas dessas canetas sequer possuem bula em português, o que é proibido por lei.

A automedicação, nesse contexto, se transforma em uma roleta-russa. A Anvisa reforça que esses medicamentos só devem ser adquiridos em farmácias regularizadas, com receita médica, e utilizados sob acompanhamento de um especialista, geralmente endocrinologista. A indicação costuma ser restrita a pacientes com índice de massa corporal (IMC) elevado — acima de 27 ou 30, a depender da presença de doenças associadas — e nunca deve ser banalizada.

Há ainda o chamado “efeito rebote”. Sem mudanças reais no estilo de vida, como reeducação alimentar e prática regular de atividade física, o peso perdido tende a retornar após a interrupção do medicamento, gerando frustração e ciclos repetidos de uso, cada vez mais perigosos para o organismo.

Diante desse cenário, o alerta é claro e urgente: não existe emagrecimento saudável sem responsabilidade. As canetas emagrecedoras não são atalhos seguros para todos e, usadas de forma errada, podem custar caro — com prejuízos sérios à saúde e, em casos extremos, à própria vida. Informação, acompanhamento médico e cuidado devem sempre vir antes de qualquer promessa de resultado rápido.

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